princípios
setembro 21, 2009
Arranhe primeiro, coce depois.
Uma peça não é sobre algo, é algo em si.
Um estado particular de pensamento é coreografia e produz dança.
Não representar idéias, provocar idéias.
Cada processo requer uma metodologia, uma dramaturgia que se definem ao longo do mesmo.
O modo como se toma decisões, durante seu processo, será parte da singularidade do trabalho.
Se você não tem uma ferramenta, use a de alguém que ela se tornará sua.
6 Comentários
leave one →
muito legal esse seu texto. me fez repensar o modo como escrevo sobre meu trabalho. acho que é isso mesmo, por mais que haja um ponto de partida, o trabalho aparece por ele mesmo, ele é alguma coisa em si, às vezes subverte o ponto de partida. Sinto isso claramente quando começo a me mover depois de pensar, idealizar, projetar um projeto. O corpo reprocessa toda informação e traduz em alguma coisa que escapa ao meu domínio ou bem nem alcança o que eu pretendia…
Tem duas coisas aqui na sua fala que me incita à pensar e me ajuda a rearticular esse pensamento:
Uma é se, “ponto de partida” a gente eleje, pq de fato não sabemos quando algo começou ( e imagino que tenha sempre começado bem antes de percebê-lo! ) então, se isso for verdade, essas idéias geradoras do ponto de partida já estavam em movimento e com ele o exercício de reformulação e identificação de um campo de interesse era constante…então, quais as ferramemtas que usamos para reconhecer e delimitar esse campo?
A segunda é qdo vc toca na questão desse trânsito entre proposição e experimento, penso nele como um trânsito entre as diferentes instâncias do pensamento no corpo… e ando bem ocupada em “como” processamos as informações e formulamos outras “sintaxes”… ando bem atenta à isso! Obrigada Dani !!!
hummmmmmmm,dani!estou agora ocupada em estabeceler uma rotina que equacione treinamento e experimento… so acho a lógica da coisa mexendo nela…. difícil p mim idealizar acho que sofro mais com as expectativas sobre a coisa…e o projeto é sempre uma formulação de alguma experimentação anterior que vai se modificando conforme é testado , hj ouvi de um amigo artista que qdo queremos comunicar uma sensação encontramos um problema e é isso que me interessa…ahhhhh, estou meio desconexa mesmo hj nesse momento …gracias bella
puxa Thlema, acabei de escrever uma longa resposta e na hora de postar se perdeu…. que pena. vou escrever de novo depois.
se quiser mande por email depois a gente ve um jeito de postar a comunicação. tb gosto da instância mais íntima de discussão… bj
Oi Thelma
Então… me fez pensar um montão tudo isso… esta idéia d que qquer coisa já existe antes de ser identificada como “ponto de partida”, quando ainda é não coisa, só caldo de informações advindas de muitos lugares, sem tempo e espaço definidos, sem identidade. Pensei num livro chamado “um sábio não tem idéias”, do François Julien, que compara a sabedoria chinesa com a filosofia ocidental. Ele diz que toda vez que nos detemos numa idéia, fazemos um recorte, uma fronteira no pensamento, que delimita tudo que pertence àquela idéia e separa de tudo o q não pertence. Conceitos seriam pensamentos com identidade recortada, delimitada. E, segundo ele, quando nos detemos num conceito, interrompemos o fluxo de pensamentos conexos associados àquele universo para fazer com que tudo seja redirecionado para o conceito em questão, para caber naquela idéia. Uma viagem, mas me fez pensar nisso…